Cetamina em dose baixa reduz o opioide no paciente em ventilação mecânica?
Ketamine for Analgosedation in Mechanically Ventilated Adults: A Double-Blind Randomized Trial
- P
- Adultos em VM recebendo opioide contínuo, em 2 UTIs universitárias de Melbourne (2022–2024), randomizados em mediana de 7,1 h após a admissão. Pós-operatório de cirurgia cardíaca excluído. 538 triados, 120 analisados. Alvo de sedação: RASS −2 a +1.
- I
- Cetamina 0,15 mg/kg/h durante a VM (n = 59).
- C
- Placebo (n = 61).
- O
- Dose horária de opioide, em equivalentes de fentanil. Desfecho substituto.
Diferença na dose de opioide (mediana)
−13µg/h
64 vs 77 µg/h · ICr95% −26,6 a 2,4
Probabilidade de benefício: 95,1%
Secundários (sem poder estatístico)
Delirium: 29,3% vs 32,8%
Mortalidade em 28 d: 16,9% vs 13,1% (HR 1,36; IC95% 0,54–3,48)
Nenhum evento adverso atribuído à cetamina
Validade interna
- Cegamento duplo e placebo: ponto forte.
- O intervalo de credibilidade cruza o zero. O efeito é provável, mas impreciso.
- Estudo de fase 2, dimensionado para uma redução de 35% no opioide. A redução observada foi bem menor (~17%).
- Titulação de sedação e desmame não protocolizados, o que pode ter influenciado o uso de opioide.
Validade externa
- 77% dos triados eram inelegíveis (413/538): a população é selecionada.
- Uma redução de ~17% do opioide pode ter pouco significado clínico isoladamente.
E no Brasil?
A cetamina é barata e amplamente disponível. A estratégia poupadora de opioide é atraente em cenários de escassez. O estudo teve coautoria brasileira (Hospital Israelita Albert Einstein). O protocolo é simples: 0,15 mg/kg/h, sem bolus.
Cetamina em dose baixa parece segura como adjuvante e provavelmente reduz um pouco o opioide. Ainda não sabemos se isso muda algo para o paciente.